Resenha: O Chamado (O Vendedor de Sonhos #1) - Augusto Cury

Alguns livros devem ser degustados,
Outros são devorados,
Apenas poucos são mastigados
E digeridos totalmente.

Olá, leitores e leitoras!

Novamente, cito um trecho de Coração de Tinta, livro da Cornelia Funke. Venho guardando esse trecho em particular para uma obra que, de algum modo, destaque-se em meio às dezenas que já li. Bem, finalmente, posso dizer que a encontrei.

A obra é o primeiro volume da trilogia O Vendedor de Sonhos, do Augusto Cury. Com vocês, O Chamado!

Informações

Título: O Chamado (O Vendedor de Sonhos #1)
Título original: O Chamado (O Vendedor de Sonhos #1)
Autor: Augusto Cury
Gênero: Ficção
Editora: Academia
Edição: 3ª ed.
Ano de publicação: 2011
Páginas: 295 p.
Sinopse: Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. Ninguém sabe sua origem, seu nome, sua história. Proclama aos quatro ventos que as sociedades modernas se converteram num Hospício Global. Com uma eloqüência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos. Ao mesmo tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina, arruma muitos inimigos. Será ele um sábio ou um louco? Este é uma romance que nos fará rir, chorar e pensar muito.

De cara, esclareço: esta é minha primeira leitura do Augusto Cury. Estou com O Código da Inteligência aqui, mas ainda não tive a chance de lê-lo. Ora, por que fui ler Augusto Cury? Certamente, não foi por falta do que ler. Isso também não se deveu ao fato de não conhecer o autor. Na escola, ouvi falar bastante dele. Sabia que era um escritor brasileiro consagrado internacionalmente. Creio que adiei a leitura de suas obras em razão de temer me deparar com livros de auto-ajuda pouco empolgantes. 

Equivoquei-me no julgamento. Retornando ao trecho de Coração de Tinta que coloquei no início do post, classifico O Chamado: trata-se de um livro para ser devorado energicamente. Não sei se vocês conseguirão digeri-lo totalmente - sinceramente, não consegui. São tantas críticas, metáforas, reflexões. Captei a ideia do autor, porém estou certa de que não peguei tudo que ele transmite com o livro. E isso é algo bom. Prova que o livro é rico, complexo.

A história começa com um homem culto ameaçando pular de um prédio. Grandes mentes tentaram dissuadi-lo de seu intento - o chefe de polícia, um bombeiro e um célebre psiquiatra -, sem sucesso. Embaixo, a plateia aguarda, horrorizada (?), o último ato do homem. 

Em meio à multidão, surge um sujeito maltrapilho, aparentando ser um reles mendigo. As pessoas não dão muita importância a ele, até que o personagem alcança o topo do edifício e consegue sentar-se junto ao suicida. Utilizando-se de amplos conhecimentos e dotado de grande sensibilidade, o desconhecido impede que seu colega culto passe "uma longa noite de sono no claustro de um túmulo", nas palavras do próprio "mendigo".

Então, começam as indagações. Quem é o desconhecido, que aparenta ser um mendigo, mas faz uso de palavras tão difíceis? Ele poderia ser um excêntrico psiquiatra, um filósofo, um religioso. Contudo, nega todas essas identidades. Nem seu nome diz - apenas se intitula um vendedor de sonhos.

Após salvar o suicida, que descobrimos se chamar Júlio César, o vendedor de sonhos convida-o para segui-lo. Nesse ponto, assim como em vários outros da obra, é inevitável estabelecer um paralelo entre a história narrada e outra muito famosa, a história de Jesus Cristo e seus discípulos. 

Todavia, ainda não temos a chave para o desfecho. A intenção de O Vendedor de Sonhos não é ser uma releitura da Bíblia (pelo menos, penso que não). Embora em vários momentos se assemelhe ao ícone cristão, o vendedor de sonhos não prega um dogma em particular. Ele prega a liberdade de pensamento e expressão, a naturalidade e critica veementemente o sistema vigente. 

À medida que convida mais discípulos para vender sonhos (que tarefa mais maluca e bela, não?), conhecemos novas histórias de vida, novos personagens. Somos levados a ver a sociedade sob diferentes ângulos. Começamos a nos deparar com críticas diretas e mascaradas. E sempre há a questão: quem realmente é aquele estranho sujeito, cujas palavras derrotam até o mais sábio dos homens?

Sinceramente, poderia ter evitado esta resenha e escrito simplesmente "Livro que beira à perfeição. Leia-o. Agora!". E não estaria mentindo. Folheei O Vendedor de Sonhos durante uma aula relativamente monótona. Quando me dei conta, já tinha devorado cinquenta páginas. Deixem-me explicar: tenho dificuldade em me concentrar com barulho e não sou das leitoras mais rápidas. O fato de ter lido cinquenta páginas em cerca de meia hora, com um professor dando aula a plenos pulmões, significa alguma coisa. Significa que viajei, uma viagem das boas. 

Bem, o livro é simplesmente maravilhoso. Não tenho críticas a fazer. Adorei a narrativa - terceira pessoa, com foco na visão de Júlio César, o primeiro discípulo -, achei o enredo consistente e não encontrei erros de gramática. Consegui adivinhar o final, entretanto acho que foi mais uma questão de intuição. O Augusto Cury não dá as coisas tão facilmente. 

Para encerrar, deixo-lhes uma das minhas citações favoritas, proferida pelo vendedor de sonhos.
- Felizes os que choram, porque serão consolados. Mas por que vivemos num mundo onde as pessoas escondem as lágrimas? Onde estão os que choram pelo egocentrismo que venda nossos olhos e nos impede de ver o que se passa na psique dos que amamos? Quantos medos ocultos nunca foram revelados? Quantos conflitos secretos nunca ganharam sonoridade? Quantas feridas nós causamos que nunca admitimos?
O Vendedor de Sonhos #1, p. 208.

Avaliação: ★★★★★


Agradeço imensamente a Bruna pela chance de ler esse livro incrível. Nós, seres humanos modernos, temos o costume de nos render ao conformismo. Vemos que algo está errado e nos conformamos. Não tentamos fazer algo para mudar. Felizmente, há pessoas como Augusto Cury, que nos fazem acreditar num futuro melhor.

5 comentários:

  1. Olá Fátima! Estou retribuindo a visita, e claro, seguindo o seu blog! Beijos!

    http://newsnessa.blogspot.com/

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  2. Oi Fátima, que linda sua resenha, eu tinha uma certa dúvida sobre ler esse livro, mas depois dessa resenha fiquei com bastante vontade.
    Parabéns.

    Beijinhos.
    keziahraiol.blogspot.com

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  3. Nossa, sério que Augusto Cury não faz livros de auto-ajuda monótonos? Por essa eu não esperava, sempre achei que fosse ser super chato, rs.. dia desses dou uma chance pra ele ;)

    Beijinho, querida!
    Mariana Melo
    www.felizvros.com

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  4. Livro digno de ser comprado, ótima resenha!

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  5. Oi adorei.. muito obrigado, amei a maneira que vc usou para descrever essa resenha...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda
    www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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